Em 2017, a Nintendo surpreendeu o mundo com o lançamento de um console híbrido, que podia ser jogado tanto como um portátil quanto como um console de mesa. Batizado de Switch, a ideia deu tão certo que logo virou o terceiro console mais vendido do mundo em apenas oito anos, fazendo um sucesso estrondoso que é de dar inveja para várias empresas.
Após uma longa espera, em janeiro deste ano, a Nintendo finalmente revelou que seu próximo console estava não estava apenas chegando, mas que seguiria a fórmula de sucesso do primeiro Switch com muitas melhorias. E é com todas essas informações em mãos que venho dizer que o Voxel foi até Nova Iorque, a convite da Nintendo, para testar em primeira mão o Switch 2 e jogos que disponíveis em seu lançamento.
Switch 2 melhora ergonomia e firmeza
O primeiro ponto a ser destacado aqui é que, embora o Switch 2 lembre bastante o modelo anterior no visual, as diferenças na experiência ficam mais evidentes ao pegá-lo. No Switch original, a exemplo de mudança, o encaixe dos Joy-Cons ficava firme na maior parte do tempo, mas com uma pequena folga que dava a impressão de que iria quebrar ou afrouxar (algo que aconteceu com a minha unidade).

No Switch 2, o novo encaixe magnético dos Joy-Cons oferece mais firmeza, ainda mais com o tamanho ligeiramente maior da tela. Muitas dúvidas surgiram sobre esse encaixe, como se seria necessário aplicar força para destacar o controle da tela, mas a resposta é não. O novo botão que realiza essa função atua como uma “alavanca”, facilitando a separação com o mínimo esforço.
Os novos Joy-Cons com função de mouse
Uma das maiores mudanças é o modo mouse: sim, é possível jogar com os Joy-Cons como se fossem um mouse de computador. Essa ideia, que pode parecer estranha à primeira vista, funciona muito bem, na prática.
Experimentei dois jogos com essa função, sendo eles Drag X Drive e Metroid Prime 4 Beyond. No primeiro, em que você assume o papel de um jogador de basquete em uma cadeira de rodas, os controles simulam o movimento dos braços ao empurrar as rodas. Leva um tempo para se acostumar, mas assim que você pega o jeito, a jogabilidade se torna muito divertida. Kouichi Kawamoto, produtor do console que estava no evento, sugeriu testar o controle arrastando-o sobre as calças. Fiz o teste e, sim, ele funcionou perfeitamente.

Já em Metroid Prime 4 Beyond, a experiência é um pouco diferente. Apesar de o Joy-Con responder bem como mira, sua ergonomia não favorece muito o ato de atirar, já que a mão fica um pouco encolhida para segurá-lo. Provavelmente, alguém desenvolverá um acessório impresso em 3D para melhorar a pegada.
Embora pareça um retrocesso, a tela LCD do novo modelo não compromete a jogabilidade. A tela de 7,9 polegadas fez bem o seu trabalho quando testei no formato portátil, rodando Mario Kart World em 1080p. Tetsuya Sasaki, diretor técnico do projeto, foi questionado se isso poderia indicar uma versão futura com outro tipo de tela, mas limitou-se a dizer que, desde 2017, essa tecnologia melhorou muito.
Switch 2 é mais poderoso, mas tem menor bateria
Sobre a bateria, houve uma espécie de downgrade — mas depende do ponto de vista. Antes, o Switch original aguentava quase dez horas ligado no formato portátil, dependendo do jogo. Agora, a duração cai para cerca de seis horas e meia, mas por um bom motivo: a nova GPU.
Desenvolvida pela NVIDIA, ela permite que o console rode em 4K a 60 fps com suporte a HDR 10 na TV e em Full HD no portátil. Além disso, foi confirmado que a GPU terá suporte a DLSS e ray-tracing, deixando a decisão de ativar essas tecnologias a cargo dos estúdios. Ou seja, menos bateria, mas maior potência — ossos do ofício.
Teste dos jogos do Switch 2
Entre os jogos disponíveis para teste, Mario Kart World e Donkey Kong Bananza se destacaram. Testei Mario Kart World tanto no dock quanto no modo portátil e posso adiantar: jogar com os amigos será uma experiência incrível. Durante a demonstração, experimentei os modos para dois jogadores e o Knock Out, uma corrida que atravessa o mundo, onde os participantes passam por checkpoints que eliminam os que estão nas últimas posições. Quem pensa que será fácil vencer está enganado.

Já Donkey Kong Bananza foi uma grata surpresa. Inicialmente, foi o jogo que menos me chamou atenção, mas acabou sendo o mais divertido ao experimentar. Com uma pegada que lembra Super Mario Odyssey e Astro Bot, sua jogatina permite destruir quase tudo ao redor para abrir caminhos acima e abaixo do solo com um simples toque de botão. Parece simples, mas os vinte minutos de teste foram extremamente divertidos, e certamente vou acompanhá-lo quando for lançado em 17 de julho.
Durante o evento, também joguei alguns títulos que até então não estavam disponíveis nos consoles da Nintendo, como Cyberpunk 2077 e Hogwarts Legacy. Ambos são conhecidos pelo tamanho e pela complexidade de otimização.
No dock, os dois apresentaram serrilhado e um leve atraso ao mover a câmera, o que é compreensível. Isso atrapalha a jogatina? Na minha opinião, não. A Nintendo sempre priorizou a jogabilidade em detrimento dos gráficos. Não espere um desempenho semelhante ao de um PC de ponta, mas a portabilidade ainda merece mais análise, o que só será possível em junho.
Quanto o Switch 2 vai custar no Brasil?
Embora tenha sido ótimo testar o Switch 2, uma dúvida ficou no ar: afinal, e o preço no Brasil? Tivemos o anúncio de Breath of the Wild, Tears of the Kingdom e outros jogos com legendas em português, Mario Kart World e Donkey Kong Bananza irão chegar traduzidos, porém, ainda não temos notícia de quanto o console custará no nosso país.
Com o preço de US$499, em conversão direta, o Switch 2 sairia por cerca de R$2.600 em conversão direta. Porém, vale lembrar que em 2020 (ano em que a Nintendo voltou oficialmente ao nosso país), o primeiro Switch tinha o preço sugerido de R$2.999, enquanto ele custava US$300, um aumento considerável.
Isso que nem falamos do preço dos jogos: Mario Kart World já está listado, custando cerca de US$79, quase R$450 em conversão direta. Claro, notícia ruim espalha mais rápido e o público reagiu rapidamente — afinal, é um preço considerável para uma versão base.
Se a Nintendo espera que seu próximo console seja um sucesso, digamos que ela começou bem, mas aos tropeços. Apesar de ter feito uma excelente apresentação do Switch 2, o possível novo patamar de preços pareceu assustar parte do público interessado. Ainda tem muito chão até o dia 5 de junho, porém uma coisa é certa: a Nintendo tem toda a atenção da indústria e do público — agora, resta saber se vão fazer bom uso deles.