Um grupo de acionistas da Ubisoft, liderado pela AJ Investments, emitiu uma carta aberta solicitando uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para votar no recente acordo entre a empresa e a Tencent. Naturalmente, o pedido visa dar mais transparência à transação, que envolve a criação de uma subsidiária e a transferência de três grandes franquias da Ubi — além da entrada da gigante chinesa com um investimento de € 1,16 bilhão.

O pedido dos acionistas vem logo após as ações da Ubisoft valorizarem 11% com o anúncio da parceria com a Tencent na última quinta (27) — seguida por uma desvalorização de cerca de 15% no início desta semana. A oscilação, claro, chamou a atenção do mercado e acendeu um alerta aos investidores da publisher.

O CEO da Ubisoft, Yves Guillemot, destacou que a parceria com a Tencent permitirá uma abordagem mais “ágil e ambiciosa” para o futuro da empresa. Em comunicado aos funcionários, o executivo disse que as mudanças “visam colocar a criação de jogos únicos e a satisfação do jogador de volta ao centro do nosso trabalho diário. É isso que nos permitirá retornar a um nível mais alto de lucratividade”.

Entenda a situação com os acionistas da Ubisoft

A coalizão requerida pelos acionistas da Ubisoft propõe duas resoluções para a AGE: a primeira seria renegociar o acordo para transformá-lo em uma venda direta de ativos por não menos que € 4 bilhões. Já a segunda propõe a distribuição de um Dividendo Extraordinário — destinando € 23 por ação aos acionistas, algo que totalizaria cerca de € 3 bilhões.

Os acionistas alegam que a transação atual não é transparente o suficiente e que pode favorecer o controle da família Guillemot, fundadora da Ubisoft, enquanto os demais investidores não têm garantia de retorno. Desde o anúncio do acordo até o presente momento, as ações da Ubisoft caíram mais de 20% — o que, segundo o grupo, indica uma reação negativa do mercado e falta de confiança na negociação.

Além da Assembleia Geral Extraordinária, os acionistas também querem que a Tencent seja excluída da votação, devido ao seu interesse direto no negócio, e que os direitos de voto da Guillemot Brothers Holding sejam limitados. Eles argumentam que a Ubisoft pode continuar vendendo ativos sem trazer benefícios aos investidores, caso o modelo atual seja mantido.

A coalizão convoca outros acionistas a apoiarem a iniciativa e reforça que uma votação através da AGE pode restaurar a confiança no futuro da Ubisoft e garantir maior transparência na gestão. O grupo pede ainda que a diretoria da empresa explique detalhadamente os benefícios do acordo e ofereça uma alternativa mais clara aos investidores.

Qual o modelo de negócio proposto pelo primeiro acordo entre Ubisoft e Tencent antes da possível AGE?

Caso você esteja por fora do assunto, o primeiro modelo de negócios proposto pelo acordo entre Ubisoft e Tencent implica a criação de uma nova subsidiária dedicada ao desenvolvimento de novos jogos das três principais franquias da casa: Assassin’s CreedFar Cry e Rainbow Six Siege. A iniciativa, certamente, busca fortalecer essas marcas e otimizar os esforços criativos e financeiros da empresa.

Com o apoio da Tencent, a nova divisão pretende aprimorar as experiências em jogos single-player, que nos últimos anos receberam inúmeras críticas por falta de inovação. Além disso, a empresa planeja expandir sua oferta multiplayer, oferecer mais conteúdos gratuitos e adicionar elementos sociais para aumentar o engajamento dos jogadores.

Agora, com a intervenção do grupo de acionistas da AJ Investments, não ficou muito claro se haverá mudanças no acordo para o modelo de negócios em si após a possível AGE. A intenção dos investidores, aparentemente, é não deixar o monopólio da empresa nas mãos da Guillemot Brothers Holding e da própria Tencent.

Será que essa é uma boa estratégia para a Ubisoft lidar com as suas principais franquias? Comente sua opinião nas redes sociais do Voxel!