Uma nova ferramenta de inteligência artificial do Google solucionou em apenas dois dias um problema complexo relacionado às superbactérias que microbiologistas tentaram resolver por 10 anos, como informou a BBC na terça-feira (25). A tecnologia ainda apontou outras quatro hipóteses para a questão, todas plausíveis.

Durante uma década, a equipe do professor do Imperial College London, José R. Penadés, tentou entender como alguns germes ganharam imunidade aos antibióticos, se tornando superbactérias. Os pesquisadores chegaram à resposta, porém decidiram testar se a IA Co-scientist seria capaz de solucionar o problema antes de publicar o estudo.

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As superbactérias são resistentes a antibióticos. (Imagem: Getty Images)

Cerca de 48 horas depois de apresentar a questão à tecnologia, o chatbot chegou à mesma conclusão que os especialistas, deixando-os chocados. Penadés até enviou email ao Google perguntando se a big tech teve acesso antecipado à pesquisa, porém a companhia de Mountain View negou.

Além da mesma resposta dos microbiologistas, a ferramenta Co-scientist formulou mais quatro hipóteses para explicar como as superbactérias são formadas e se espalham. Uma delas nem havia sido especulada durante o estudo e agora a equipe já começou a trabalhar na proposta.

A IA vai mudar a ciência?

Enquanto alguns cientistas temem que a inteligência artificial acabe com empregos, outros acreditam na tecnologia representando enormes avanços neste campo. O chefe do estudo sobre as superbactérias faz parte do segundo grupo e afirma que se a IA estivesse disponível quando o trabalho iniciou, teria poupado anos de trabalho.

“Sinto que isso vai mudar a ciência, com certeza. Estou diante de algo espetacular e estou muito feliz por fazer parte disso. É como se você tivesse a oportunidade de jogar uma grande partida. Sinto como se finalmente estivesse jogando uma partida da Liga dos Campeões com essa coisa”, comemorou o professor, em entrevista.

Conforme o estudo, as superbactérias formam uma espécie de cauda a partir de diferentes vírus, usando esse mecanismo para se espalhar entre as espécies hospedeiras. Uma das respostas dadas pela IA foi exatamente esta.

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