Por Carolina Cabral é CEO da Nimbi**
Velocidade e complexidade cada vez maior dos desafios: as empresas estão sendo cada vez mais exigidas na hora de tomarem suas decisões. E para isso, o caminho mais eficiente é uma cultura orientada por dados.
Mas o que significa, de fato, construir uma organização baseada em dados? E como essa abordagem melhora a previsibilidade e a performance dos negócios?
Mais do que uma tendência, a cultura de dados deve ser uma premissa essencial para os negócios que buscam sustentabilidade e crescimento. Isso significa que todas as decisões, desde as operações cotidianas até as definições estratégicas de longo prazo, devem ser pautadas por informações concretas e não por achismos.
Vejamos a história da HDI Seguros. Até 2019, a seguradora alemã enfrentava alguns desafios na compreensão do comportamento de seus clientes. Isso impactava diretamente na oferta de cotações precisas e competitivas, e no cross sell e up sell de seguros. Foi só a partir de 2020, quando passou a adotar modelos estatísticos inteligentes, automatizados e baseados em machine learning, que conseguiu segmentar clientes, melhorar cotações e aumentar o seu EBITDA em 13%. Além disso, a seguradora acelerou o processo de análise de dados e melhorou a assertividade para análise do risco de roubo e furto em até 20%.

Ou seja, tudo isso só foi possível por causa da cultura data-driven. Inclusive, empresas que adotam essa abordagem experimentam um crescimento anual de mais de 30%, de acordo com o relatório Insights-Driven Businesses Set The Pace For Global Growth, da Forrester.
A pergunta que todos os gestores se fazem é como é possível construir uma organização orientada por dados.
Primeiro, decisões estratégicas só são eficazes quando os dados que a sustentam são confiáveis. Implementar processos de governança de dados, garantindo padronização, segurança e consistência das informações, é o primeiro passo para criar uma cultura orientada por dados.
Segundo, com tecnologia: plataformas de BI (Business Intelligence), big data e analytics permitem transformar dados brutos em insights valiosos, proporcionando agilidade na tomada de decisão.
Além disso, é fundamental oferecer capacitação e obter engajamento dos times; afinal, os dados só terão impacto real se forem compreendidos e utilizados de forma eficaz. Por isso, é crucial investir na educação analítica dos colaboradores, promovendo treinamentos e uma mentalidade data-driven para criar um ambiente de decisões embasadas.
Outro ponto importante é a cultura de testes e o aprendizado contínuo. Isso porque as empresas orientadas por dados encaram a tomada de decisão como um processo iterativo – o que significa testar, analisar, aprender e ajustar constantemente. Dessa forma, elas reduzem incertezas e aprimoram sua capacidade de prever cenários e antecipar mudanças de mercado.
Com uma cultura de dados bem estabelecida, as organizações conseguem antecipar tendências, minimizar riscos e identificar oportunidades com mais precisão. Em vez de reagirem aos desafios, elas se tornam proativas, desenvolvendo estratégias baseadas em evidências concretas e obtendo resultados consistentes. Isso é o que dez entre dez empresas procuram hoje.
*Carolina Cabral é CEO da Nimbi.