Capitão América: Admirável Mundo Novo chegou aos cinemas esta semana com uma missão: devolver a esperança para quem se decepcionou — compreensivelmente — com os últimos lançamentos do Universo Cinematográfico da Marvel. Ao mesmo tempo, ele também é o primeiro grande lançamento depois que Sam Wilson (Anthony Mackie) aceitou a combinação de escudo e asas e se tornou o sucessor de Steve Rogers (Chris Evans). A combinação, que poderia ser traumática, foi menos pior do que muita gente esperava.

Para começar, preciso pontuar que enquanto fã da franquia (e alguém que teve por mais de 10 anos o Capitão América de Chris Evans como preferido), eu estava morrendo de medo do que Brave New World ia entregar depois de greves de produtores, refilmagens, refações e de alguns filmes da cronologia perdidos no meio do caminho. Porém, saí do cinema tranquila: ele realmente não é revolucionário, mas deixou o coração feliz.

Um novo capitão, um velho universo cinematográfico

O longa começa com Sam, trajado de Capitão América, em missão para recuperar uma carga misteriosa a pedido da Casa Branca. Ele conta com a ajuda de militares e de Joaquin Torres (Danny Ramirez), o novo Falcão. A dinâmica entre os dois, divertida e leve de assistir, se mantém assim durante todo o filme e é um dos acertos da produção.

Alguns minutos depois, em um evento na Casa Branca que conta com os dois como convidados de honra, descobrimos que a carga misteriosa é adamantium manipulado que foi roubado do Japão e recuperado pelos Estados Unidos. Este é o início da trama política da história, que se baseia na tentativa de Thaddeus Ross (Harrison Ford), agora presidente dos Estados Unidos, em estabelecer um tratado com Japão, Índia e França para que a exploração do metal na Ilha Celestial seja dividida igualmente entre as nações. A Ilha Celestial que, na verdade, é o corpo de Tiamut, o Celestial derrotado em Eternos, que ficou com parte do corpo petrificado para fora do oceano.

O evento na Casa Branca é interrompido, porém, quando Isaiah Bradley (Carl Lumbly), o Capitão América esquecido, atira na direção de Ross no que parece ser um ataque premeditado junto com outras quatro pessoas presentes. E é aí que tudo começa.

Capitão América: Admirável Mundo Novo não tenta inventar a roda

A fórmula escolhida para o primeiro filme de Sam Wilson é parecida com o que já vimos na Marvel. Ela começa com a existência de um problema que é causado, aparentemente, por alguém de confiança do protagonista. Essa pessoa acaba sendo automaticamente culpada e mesmo quando é encorajado a não se envolver, o Capitão investiga por si só e descobre algo muito maior escondido por trás: o verdadeiro vilão da história.

Ainda que não seja um conceito inovador, apostar no seguro foi uma das melhores estratégias da Marvel para este filme, porque no fim do dia, eles não criaram algo revolucionário, mas também não criaram algo ruim — o que podia ter acontecido depois de tantas mudanças durante o processo de criação.

Uma das maiores questões, para mim, foi algo que descobrimos nos trailers (e, então, eu lembrei que há alguns anos eu não os assistia, o que era uma decisão muito sábia). Começar o filme já sabendo que o Hulk Vermelho seria Thaddeus Ross diminuiu muito o impacto da cena em que ele se transforma. Ela nem é mal feita, mas como todo mundo sabia o que ia inevitavelmente acontecer, ela virou só mais uma quando poderia ter sido bem mais marcante.

A escolha de revelar isso tão cedo faz sentido se considerarmos que o Hulk Vermelho não é o maior vilão da história. Porém, para funcionar, o verdadeiro vilão precisava ter sido maior, mais impactante e interessante. No fim das contas, essa dinâmica contribuiu para o tom mais morno do filme como um todo.

Sam Wilson não precisa do soro do supersoldado para ser o Capitão América

Em Falcão e o Soldado Invernal o principal ponto desenvolvido em relação ao novo Capitão América era se alguém seria digno de ocupar esse lugar e, além disso, o fato de Steve Rogers ter passado o escudo para um homem negro. Essa questão foi resolvida em Admirável Mundo Novo, mas é interessante ver que nem tudo são flores para um super-herói que não é superforte — e que ele mesmo tem consciência disso ao longo do filme.

Seria muito incoerente se, agora, os roteiristas dessem um jeito de dar a superforça para Sam Wilson, ainda mais com a narrativa de Isaiah tão presente. Porém, é só isso mesmo que falta para ele: o caráter, a persistência e a habilidade de dar bons discursos, por exemplo, Sam tem! E ele, inclusive, é lembrado disso em uma cena clássica do filme de herói: a conversa que levanta a moral quando ele duvida de si mesmo (um grande clichê? Sim, mas NÓS ESTAMOS AQUI POR ELES TAMBÉM!).

Tecnicamente, as atuações são a melhor parte do filme (Harrison Ford, obrigada por existir!)

Olhos mais exigentes e atentos podem ter encontrado pontos de ajuste na edição do filme, mas o CGI é satisfatório (e no Hulk Vermelho, principalmente, se beneficiou de toda a evolução já feita com o verde). As cenas de luta são muito baseadas em coreografia, o que endossa o estilo do Capitão que não é um supersoldado, mas é realmente muito bom (não estamos aqui para cobrar veracidade em um filme de super-herói, ok?).

Porém, o que salva mesmo e faz um filme que é bom não ser apenas regular são as atuações. Harrison Ford foi uma adição de ouro no elenco (e William Hurt conseguiria ser tão bom quanto, isso não é uma comparação entre eles) e criou um Thaddeus Ross mais vulnerável e, ao mesmo tempo, com o ímpeto e a capacidade de ser odiado que nós já conhecíamos no personagem.

Anthony Mackie e Danny Ramirez também não ficaram para trás porque têm química, bom entrosamento e funcionam bem juntos (e separados) em cena: fico com esperanças de ver mais dos dois em próximos lançamentos.

A Marvel ainda tem mais dois lançamentos anunciados para este ano nos cinemas: Thunderbolts e Quarteto Fantástico. Considerando uma melhora progressiva nos títulos um a um, temos chances de chegar no fim do ano com um MCU mais estruturado e preparado para as ameaças futuras — porque elas certamente virão.


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